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Tuesday, 17 February 2026
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China celebra o realinhamento estratégico do Canadá em meio a tensões globais

Pequim elogia a "decisão correta" de Ottawa de buscar uma "n

China celebra o realinhamento estratégico do Canadá em meio a tensões globais
7DAYES
8 hours ago
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Canadá/China - Agência de Notícias Ekhbary

China celebra o realinhamento estratégico do Canadá em meio a tensões globais

O cenário geopolítico global está sendo reconfigurado com a recente aproximação entre China e Canadá, um movimento estratégico que Pequim classificou como uma "decisão correta". O Ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, expressou sua profunda satisfação neste sábado (14.02.2026) durante um encontro com sua homóloga canadense, Anita Anand, à margem da prestigiada Conferência de Segurança de Munique. Wang Yi destacou que a aposta de Ottawa por uma "nova política" de aproximação a Pequim é um passo fundamental, apesar das consideráveis críticas e advertências provenientes dos Estados Unidos, um aliado tradicional do Canadá.

Este renovado impulso nas relações bilaterais não surge do nada, mas é o resultado de uma série de gestões diplomáticas e comerciais de alto nível. O comunicado do Ministério das Relações Exteriores da China, divulgado após a reunião de Munique, sublinhou os "resultados frutíferos" da recente visita do ex-primeiro-ministro canadense, Mark Carney, ao gigante asiático. Essa viagem lançou as bases para um consenso ambicioso: a "construção de um novo tipo de parceria estratégica" entre as duas nações. Neste quadro, Pequim manifestou sua firme disposição a "reiniciar os intercâmbios e a cooperação em diversas áreas" e, de maneira significativa, a "eliminar as interferências" em suas relações, uma alusão apenas velada à influência de Washington.

Embora Ottawa e a Ministra Anand não tenham emitido um comunicado oficial sobre a reunião em Munique até o momento, a Chancelaria chinesa afirmou que Anand concordou com a avaliação do "sucesso retumbante" da viagem de Carney, que, segundo ela, "abriu uma nova era" nos laços com Pequim. A visita de Carney à China, que incluiu uma entrevista com o presidente chinês, Xi Jinping, culminou com a assinatura de acordos econômicos de grande envergadura. Entre eles, destaca-se a autorização por parte do Canadá para a entrada de até 49.000 veículos elétricos chineses por ano, com uma tarifa preferencial de 6,1%, uma redução drástica em relação aos 100% que se aplicavam anteriormente. Por sua vez, Pequim concordou em reduzir significativamente os impostos sobre a colza canadense para 15%, dos 84% anteriores, e eliminar as taxas sobre produtos agrícolas e marinhos como ervilhas, lagostas e caranguejos.

Além desses acordos comerciais, o Canadá comprometeu-se a revisar e realizar "ajustes positivos nas medidas unilaterais" que havia implementado contra produtos chineses de aço e alumínio, bem como em certos casos relacionados a investimentos chineses e operações de empresas asiáticas em território canadense. Esses compromissos mútuos refletem uma clara vontade política de superar as fricções passadas e estabelecer uma relação mais construtiva e mutuamente benéfica. Um gesto diplomático adicional que contribuiu para esse degelo é a anulação, semanas após os acordos, da sentença de morte imposta em 2019 contra um cidadão canadense condenado por tráfico de drogas, uma medida que historicamente tem sido um ponto de tensão considerável entre os dois países.

A aproximação entre Ottawa e Pequim não foi alheia à polêmica, especialmente por parte dos Estados Unidos. O ex-presidente americano, Donald Trump, reagiu com ameaças de impor novas tarifas ao Canadá, seu segundo parceiro comercial. Embora Ottawa tenha desmentido qualquer intenção de assinar um acordo de livre comércio com Pequim, Trump advertiu energicamente que, caso tal cenário ocorresse, "a China comerá o Canadá, o devorará por completo". Essas declarações sublinham a preocupação de Washington com qualquer movimento que possa ser percebido como uma fissura na frente ocidental contra a influência econômica e geopolítica da China.

A história recente das relações sino-canadenses tem sido marcada por uma montanha-russa de tensões e distensões. Os laços começaram a se deteriorar drasticamente em 2018, em razão da prisão de Meng Wanzhou, diretora financeira da Huawei, em Vancouver, a pedido dos Estados Unidos. Pequim respondeu com a detenção dos canadenses Michael Kovrig e Michael Spavor e a imposição de sanções comerciais. Embora a situação tenha melhorado parcialmente em 2021 com a libertação de Meng, Kovrig e Spavor, as relações voltaram a se tensionar em 2023, quando a inteligência canadense denunciou ingerências chinesas em suas eleições gerais e Ottawa expulsou um diplomata chinês.

Nesse complexo pano de fundo, a visita de Carney à China e os subsequentes acordos representam uma tentativa deliberada do Canadá de diversificar suas relações econômicas. Em um cenário internacional cada vez mais fragmentado e polarizado por crescentes tensões comerciais e geopolíticas, Ottawa busca reduzir sua dependência de um único mercado e fortalecer sua autonomia na política externa. Esse realinhamento, embora arriscado, poderia posicionar o Canadá como um ator mais flexível e pragmático na arena global, buscando um equilíbrio entre suas alianças tradicionais e as oportunidades emergentes na Ásia.

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