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Sunday, 15 February 2026
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União de Estudantes Judeus vê "omissão flagrante" no debate sobre serviço militar

Divergências dentro da comunidade judaica sobre serviço mili

União de Estudantes Judeus vê "omissão flagrante" no debate sobre serviço militar
7dayes
6 hours ago
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Alemanha - Agência de Notícias Ekhbary

União de Estudantes Judeus vê "omissão flagrante" no debate sobre serviço militar

Em meio a uma discussão reacendida sobre o futuro do serviço militar na Alemanha, a União de Estudantes Judeus do país (JSUD) expressou fortes críticas, qualificando o discurso atual como "profundamente desconectado da realidade". Esta declaração surge em um momento em que os apelos para reintroduzir o serviço militar obrigatório estão ganhando força, enquanto as perspectivas dentro da própria comunidade judaica permanecem divididas sobre essa questão delicada.

Ron Dekel, presidente da JSUD, compartilhou suas preocupações com a rede editorial Redaktionsnetzwerk Deutschland (RND), destacando uma lacuna significativa no debate sobre as experiências vividas por jovens elegíveis para o serviço militar. Ele apontou especificamente para a omissão potencial de jovens de diversas origens, incluindo aqueles com histórico migratório ou cujas famílias tiveram interações históricas particularmente complexas com a autoridade estatal alemã. Dekel enfatizou que essa omissão é "uma omissão flagrante", especialmente no contexto da trajetória histórica da Alemanha e do preocupante aumento do racismo e da misantropia de grupo.

"Pode ser necessário defender a si mesmo, seus valores e sua liberdade, mesmo com o uso da força", admitiu Dekel. "No entanto, deve continuar a existir uma alternativa real e equivalente ao serviço militar armado." Este apelo sublinha a necessidade de uma abordagem mais inclusiva e sutil para as discussões sobre o recrutamento, que incorpore ativamente as realidades multifacetadas da sociedade alemã contemporânea e garanta a consideração de alternativas viáveis.

Oferecendo uma perspectiva contrastante, Josef Schuster, presidente do Conselho Central de Judeus na Alemanha, declarou que a comunidade judaica apoia o curso do governo alemão e a modernização do serviço militar. Ele argumentou que os recentes desenvolvimentos políticos globais, particularmente a invasão russa da Ucrânia, destacaram a "amarga necessidade" de uma mudança na política de segurança. "Especialmente porque não queremos ir para a guerra, nossa dissuasão militar deve ser forte o suficiente para que não precisemos ir para a guerra", comentou Schuster, implicando que uma postura defensiva robusta é crucial para manter a paz.

Felix Klein, Comissário Federal para a Vida Judaica na Alemanha e o Combate ao Antissemitismo, detalhou ainda mais a relação em evolução entre a comunidade judaica e a Bundeswehr. Ele observou que homens e mulheres judeus servem e ocupam posições de liderança nas forças armadas hoje em dia em pé de igualdade. Klein destacou o estabelecimento do rabinato militar como um importante símbolo de confiança, que tem recebido reconhecimento internacional positivo. Ele considera isso um "grande desenvolvimento" e acredita que "é totalmente natural que o novo serviço militar se aplique aos membros da comunidade judaica assim como a todas as outras partes da população".

Essas discussões ocorrem no contexto de um recente relatório do Instituto Allensbach de Pesquisa de Opinião Pública. O relatório indicou que a maioria dos alemães é a favor da reintrodução do serviço militar obrigatório. No entanto, o público parece dividido sobre a abordagem imediata: 43% preferem priorizar o serviço voluntário, enquanto 41% defendem um retorno rápido ao serviço obrigatório. Notavelmente, um significativo 72% dos entrevistados apoia uma proposta segundo a qual jovens homens e mulheres seriam obrigados por um ano, mas poderiam escolher entre o serviço militar ou alternativas civis.

O debate em curso na Alemanha reflete uma complexa interação de memória histórica, preocupações de segurança em evolução e diversidade social. Enquanto a JSUD pede um debate mais realista e inclusivo, figuras de liderança como Schuster e Klein enfatizam os imperativos da segurança nacional e o fortalecimento dos laços entre a comunidade judaica e a Bundeswehr. O desafio reside em navegar esses pontos de vista divergentes para formular uma política de serviço militar que seja eficaz e reflita os valores alemães modernos.

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