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Wednesday, 18 March 2026
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UE: Plano de Emergência Energética Face à Crise "Que Pode Agravra-se"

Bruxelas Equilbra entre Tranquilidade e Urgência face às Ten

UE: Plano de Emergência Energética Face à Crise "Que Pode Agravra-se"
Abd Al-Fattah Yousef
8 hours ago
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Bruxelas - Agência de Notícias Ekhbary

UE: Plano de Emergência Energética Face à Crise "Que Pode Agravra-se"

A União Europeia está a preparar-se para enfrentar um potencial agravamento da crise energética, com um plano de emergência destinado a estabilizar os mercados e apoiar as economias europeias. Num contexto marcado pela sombra de uma escalada no Estreito de Ormuz e pelas persistentes consequências da guerra na Ucrânia, Bruxelas adota uma abordagem cautelosa, alternando tons tranquilizadores com uma linguagem de alerta. A prioridade é mitigar o impacto do aumento dos preços da energia, garantindo ao mesmo tempo a continuidade da transição ecológica.

O plano de emergência, que será discutido pelos líderes da UE, prevê uma maior flexibilidade na aplicação das normas sobre auxílios estatais. Isto permitirá aos Estados-membros fornecer apoio financeiro direcionado às indústrias mais expostas à volatilidade dos preços da energia. Estão também em estudo medidas legislativas para introduzir alívios nas contas de eletricidade para famílias e empresas, bem como iniciativas para incentivar a redução do consumo energético. A aceleração no desenvolvimento e adoção de energias renováveis é considerada fundamental para fortalecer a futura segurança energética do bloco.

O ponto mais delicado da proposta refere-se à revisão do Sistema de Comércio de Emissões da UE (EU ETS). A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, sublinhou a necessidade de tornar a trajetória de descarbonização "mais realista" através de ajustes no sistema. Numa carta aos líderes da UE, anunciou que as correções iniciais terão em conta as "preocupações da indústria", introduzindo novos benchmarks e reforçando a reserva de estabilidade do mercado. No entanto, o pedido italiano de uma suspensão temporária do ETS foi rejeitado, com a Comissão a defender o sistema como uma ferramenta comprovada e uma "bússola" para os investimentos europeus na transição energética.

Von der Leyen reconheceu que a próxima cimeira da UE "será mais uma vez marcada por choques externos de proporções sísmicas", relembrando a sequência de crises que afetaram a Europa: a pandemia de COVID-19, a guerra na Ucrânia e os consequentes choques energéticos. Destacou a capacidade da UE de "reagir em conjunto e com urgência" a tais desafios, exortando os 27 Estados-membros a manterem esta unidade face ao crescente impacto do conflito no Médio Oriente. O custo das importações de combustíveis fósseis para a UE já aumentou cerca de 6 mil milhões de euros nas últimas duas semanas, sublinhando a significativa pressão financeira sobre o bloco.

O plano de Bruxelas baseia-se em mecanismos existentes, em particular na maior flexibilidade dos auxílios estatais para reduzir os custos da eletricidade para as indústrias de alto consumo energético. Esta abordagem foi acolhida favoravelmente por países com ampla capacidade fiscal, como a Alemanha, enquanto outras nações, como a Itália, enfrentam restrições orçamentais mais rigorosas. O executivo europeu está também a examinar medidas relativas às contas de energia, incluindo a possível redução de impostos e taxas não energéticas, e está a explorar a possibilidade de tributar a eletricidade de forma mais favorável em comparação com os combustíveis fósseis.

A revisão do ETS continua a ser o terreno político mais instável. Embora uma congelamento completo do sistema pareça improvável, estão a ser avaliadas a introdução de novos benchmarks, um reforço da reserva de mercado e a criação de uma ponte financeira para um futuro Banco para a Descarbonização Industrial. Estão também em discussão ajustes para adaptar o sistema "às novas realidades", como uma maior flexibilidade na alocação de licenças e quotas gratuitas. Espera-se que estes ajustes sejam o centro das manobras políticas de figuras como a Primeira-Ministra italiana Giorgia Meloni, que procura correções mais robustas e alianças entre os parceiros, especialmente com o Chanceler alemão Friedrich Merz.

De Varsóvia, a opinião predominante é que "suspender é complicado; são necessárias soluções pragmáticas". No entanto, as exigências italianas em matéria de energia vão mais longe. O Ministro da Transição Ecológica italiano, Gilberto Pichetto, instou os seus homólogos da UE a concederem aos governos nacionais um maior papel nas decisões sobre infraestruturas energéticas, opondo-se a qualquer tendência para uma excessiva centralização a nível da UE.

A UE sublinha que as medidas temporárias não devem impedir a transição verde. Como confirmação deste compromisso, a posição sobre o petróleo russo mantém-se firme, apesar das dinâmicas políticas internacionais em mudança. O Comissário Europeu da Energia, Didier Reynders, declarou categoricamente que a UE "não importará mais uma molécula de energia da Rússia". Confirmou que está em curso a preparação de uma nova legislação para travar as importações de petróleo bruto russo, que revogará as isenções atualmente em vigor para a Hungria e a Eslováquia no âmbito das sanções contra Moscovo.

A questão do petróleo russo foi também tema de discussão na reunião dos ministros da Energia do G7 dedicada a Kyiv, onde estão em curso esforços para reativar o oleoduto Druzhba, com um pedido de intervenção ao Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. No entanto, o conflito com Budapeste, que se prevê que reanime novamente a cimeira da UE, persiste. O Ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Péter Szijjártó, reiterou que a não reabertura do oleoduto Druzhba é uma "decisão puramente política", alertando que a Hungria manterá o seu veto a um pacote de empréstimos da UE de 90 mil milhões de euros se Kyiv continuar a bloquear o trânsito de petróleo.

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