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Tuesday, 30 June 2026
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Mortes de brasileiros na Guerra da Ucrânia disparam, e Itamaraty faz alerta

Ministério das Relações Exteriores relata aumento significat

Mortes de brasileiros na Guerra da Ucrânia disparam, e Itamaraty faz alerta
عبد الفتاح يوسف
2026-02-16
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Brasil - Agência de Notícias Ekhbary

Mortes de brasileiros na Guerra da Ucrânia disparam, e Itamaraty faz alerta

A guerra na Ucrânia resultou tragicamente em um aumento significativo de fatalidades brasileiras. O número de mortes registradas em 2025 superou o total de todos os anos anteriores do conflito, que começou em fevereiro de 2022. De acordo com dados oficiais do Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) fornecidos ao jornal Folha de S.Paulo, 23 cidadãos brasileiros foram confirmados mortos desde o início da guerra. Alarmantemente, 12 desses indivíduos (52%) perderam a vida no ano passado (2025), com mais três mortes confirmadas no início deste ano em pouco mais de um mês.

Além das fatalidades, o Itamaraty também observa um aumento substancial no número de brasileiros relatados como desaparecidos. O número total de pessoas desaparecidas agora chega a 44, sendo que um impressionante 77% (34 pessoas) foram adicionadas a esta lista em 2025. É crucial notar que esses números representam apenas os casos formalmente comunicados às autoridades brasileiras pelos governos russo e ucraniano.

Esses números crescentes provocaram sérias preocupações dentro do governo brasileiro, que intensificou suas campanhas de conscientização pública nas redes sociais, destacando os graves riscos associados ao envolvimento em conflitos estrangeiros. O Itamaraty também chama a atenção para casos em que cidadãos brasileiros relatam dificuldades extremas para deixar as fileiras de exércitos estrangeiros após o alistamento, ficando efetivamente presos em zonas de combate.

As informações disponíveis sugerem que o recrutamento de cidadãos brasileiros muitas vezes ocorre por meio de intermediários, incluindo outros brasileiros que operam no exterior. Além disso, plataformas de mídia social são usadas para disseminar conteúdo atraente que glorifica o combate e promete treinamento militar avançado e salários lucrativos. No entanto, a realidade que esses recrutas enfrentam frequentemente contrasta acentuadamente com as representações online.

Em um desenvolvimento recente, há relatos não confirmados de outra vítima brasileira esta semana na Ucrânia. Wesley Adriano Silva, natural do estado do Pará, teria lutado como voluntário nas forças ucranianas contra a Rússia. Segundo postagens de amigos em redes sociais, ele teria sucumbido a disparos de artilharia. Silva, conhecido online pelo apelido "Índio Boa Morte", compartilhava fotos e vídeos de suas atividades na Europa Oriental. O Itamaraty o lista atualmente como desaparecido.

Em resposta ao crescente número de vítimas brasileiras, o Itamaraty reiterou na quinta-feira (12) sua forte recomendação para que todos os cidadãos recusem quaisquer convites ou ofertas de emprego para se juntar a exércitos estrangeiros. O ministério enfatizou que a assistência consular para indivíduos envolvidos em tais alistamentos pode ser "severamente limitada" devido aos termos contratuais assinados com as forças armadas de países terceiros. O alerta afirma explicitamente: "Não há obrigação por parte das autoridades públicas de cobrir despesas de viagem ou fornecer custos de retorno". O ministério adverte ainda que cidadãos que se voluntariam também estão sujeitos a processos legais tanto em tribunais internacionais quanto brasileiros.

Em um relato pessoal angustiante, Mariana Figueredo de Souza, engenheira civil de 28 anos, compartilhou sua angústia e o considerável fardo financeiro que suportou para ajudar seu irmão a escapar da Ucrânia. Impulsionado por postagens em redes sociais, seu irmão se alistou voluntariamente no exército de Kyiv e viajou para a Europa em novembro do ano passado. No entanto, ele ficou profundamente desiludido com as condições impostas a ele e expressou profundo arrependimento por sua decisão.

Segundo Mariana, seu irmão foi enganado por falsas promessas de trabalho humanitário, apenas para se ver envolvido no que ela descreveu como "missões suicidas" na linha de frente sem treinamento adequado, e supostamente testemunhou corrupção dentro das tropas. Quando ele tentou sair, os comandantes teriam impedido sua partida. Mariana relatou que teve que contratar um motorista de aplicativo do Brasil por € 250 (aproximadamente R$ 1.535) para resgatá-lo do campo de batalha no leste da Ucrânia durante um momento de descuido dos guardas.

Após chegar a Lviv, no oeste da Ucrânia, seu irmão teria sido impedido de cruzar a fronteira com a Polônia, citando seu contrato ativo com as Forças Armadas ucranianas. Isso o impediu de pegar seu voo de volta para o Brasil da Polônia, cujo bilhete custou R$ 12.000. Mariana descreveu a experiência: "Não pude trabalhar por uma semana. Não comi nem dormi. Estava desesperada.".

Ele finalmente conseguiu deixar a Ucrânia dias depois, em dezembro, com a orientação da Embaixada do Brasil em Kyiv. Mariana estima que a perda financeira total sofrida seja de cerca de R$ 25.000, cobrindo passagens aéreas, acomodação e alimentação. Seu irmão está atualmente recebendo apoio psicológico em sua cidade natal de Itapevi, São Paulo. Mariana observou que de um grupo de mais de cinco pessoas que seguiram caminhos semelhantes, duas morreram e três ficaram feridas. Ela optou por não divulgar o nome de seu irmão por motivos de segurança.

Um estudo publicado em janeiro pelo Center for Strategic and International Studies (CSIS) em Washington estima até 1,8 milhão de baixas militares desde o início da invasão russa em 24 de fevereiro de 2022 até o final de 2025, incluindo 465.000 mortes e o restante de feridos e incapacitados para o combate. Nos últimos meses, com a redução do apoio dos Estados Unidos à Ucrânia, as forças russas têm feito avanços lentos, mas constantes, no leste do país.

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