A União Europeia está a preparar um exercício de "mesa" sem precedentes para simular a sua resposta a um ataque contra um dos seus estados-membros. Este teste, supervisionado pela diplomata-chefe Kaja Kallas, visa estabelecer como a cláusula de assistência mútua do bloco, o Artigo 42.7, funcionaria na prática. A operação focar-se-á na resposta política, e não militar, do bloco, embora haja discussões para reforçar o artigo com uma estrutura de comando militar clara.
A iniciativa surge num contexto de crescentes tensões geopolíticas e após incidentes como os ataques de drones no Chipre, que manifestou grande interesse em explorar a aplicação do Artigo 42.7. Embora a maioria dos membros da UE também pertença à NATO e esteja coberta pelo seu Artigo 5 de defesa mútua, as preocupações com a fiabilidade deste último, exacerbadas por declarações como as do ex-Presidente dos EUA Donald Trump sobre a Gronelândia, reacenderam o interesse nas próprias disposições de segurança da UE. O Artigo 42.7, invocado apenas uma vez pela França em 2015 após os ataques terroristas em Paris, obriga os membros a prestar "ajuda e assistência por todos os meios ao seu alcance" em caso de "agressão armada", sem especificar uma resposta militar, o que o torna aplicável a estados neutros. A Comissão Europeia está também a preparar um documento para detalhar a operacionalização destas garantias de segurança.