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Thursday, 02 July 2026
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O Equilíbrio Delicado do Paquistão na Guerra do Irã: Entre Neutralidade e Apoio

Islamabad busca manter relações com Teerã, Riade e Washingto

O Equilíbrio Delicado do Paquistão na Guerra do Irã: Entre Neutralidade e Apoio
عبد الفتاح يوسف
2026-03-14 00:38
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Paquistão - Agência de Notícias Ekhbary

O Equilíbrio Delicado do Paquistão na Guerra do Irã: Entre Neutralidade e Apoio

No meio da crescente tensão regional no Oriente Médio, o Paquistão enfrenta um complexo desafio diplomático devido ao conflito envolvendo o Irã. Islamabad tem se posicionado oficialmente como uma parte "neutra", condenando tanto os ataques aéreos dos EUA e Israel ao Irã quanto as retaliações do Irã contra a Arábia Saudita e outras nações do Golfo. Essa estratégia cuidadosamente calibrada visa preservar os vitais laços estratégicos e econômicos com todos os atores-chave, ao mesmo tempo em que evita o envolvimento militar direto.

À medida que o conflito entrava em sua terceira semana, marcada por uma intensificação das operações militares EUA-israelenses contra o Irã e contra-ataques iranianos a bases americanas e alvos na Arábia Saudita e em países vizinhos do Golfo, a posição do Paquistão tornou-se particularmente delicada. Durante este período, o Primeiro-Ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, reuniu-se com o Príncipe Herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, em Jeddah. Uma declaração emitida pelo porta-voz de Sharif no X enfatizou a "plena solidariedade e apoio do Paquistão ao Reino da Arábia Saudita nestes tempos difíceis". A reunião também incluiu discussões sobre os desenvolvimentos regionais e um acordo mútuo para colaborar pela paz e estabilidade. O porta-voz também transmitiu a garantia de Sharif de que o Paquistão "sempre ficará firmemente ao lado da Arábia Saudita".

Esta reafirmação de apoio a Riade ocorre em meio aos contínuos esforços de Islamabad para manter relações cordiais com Teerã. Desde o início das hostilidades em 28 de fevereiro, o Paquistão tem tentado projetar uma imagem de imparcialidade, cultivando boas relações tanto com as nações árabes quanto com o Irã. No entanto, analistas alertam que manter esse equilíbrio está se tornando cada vez mais difícil e que o Paquistão pode ser forçado a escolher um lado se o conflito persistir ou se intensificar.

As relações existentes do Paquistão com os Estados Unidos acrescentam outra camada de complexidade. O Primeiro-Ministro Sharif, juntamente com o chefe do exército do país, General Asim Munir, desenvolveram laços estreitos com a administração dos EUA. O Paquistão até se juntou ao controverso "Board of Peace" do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, uma iniciativa destinada a estabilizar o Oriente Médio e supervisionar a reconstrução na Faixa de Gaza. Anteriormente, em fevereiro, o Ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, havia destacado o grande valor estratégico que Islamabad atribui à sua relação com Washington.

Fatemeh Aman, especialista em Irã-Paquistão e membro sênior do Atlantic Council, explicou as considerações estratégicas para o Paquistão. "O Paquistão pode manter relações de trabalho com Washington enquanto se recusa a participar de uma campanha militar", disse ela à DW. "Entrar em uma guerra vizinha acarretaria custos enormes: interrupções econômicas, potencial instabilidade ao longo da fronteira Irã-Paquistão e o risco de inflamar tensões sectárias dentro do Paquistão. Esses fatores impõem limites claros à extensão em que Islamabad pode se alinhar militarmente com os Estados Unidos." Aman descreve a atual postura do Paquistão como "um sinal de simpatia diplomática, evitando o envolvimento direto no conflito". Ela acrescenta que a prioridade de Islamabad é impedir que a guerra se espalhe além de sua fronteira ocidental, desestabilize seu ambiente interno ou interrompa o fornecimento de energia e as rotas comerciais vitais. "Uma descrição mais precisa é um alinhamento limitado sem envolvimento militar", concluiu.

Apesar da ênfase na não participação, a situação permanece volátil. O porta-voz de Sharif, Mosharraf Zaidi, reiterou os esforços do governo para "promover a desescalada", afirmando: "O Paquistão não apoia os ataques do Irã contra os países do Golfo nem a campanha de bombardeio (EUA-Israel) no Irã". No entanto, Aman acredita que a posição do Paquistão "não é neutra em sentido político", apesar de seus esforços para permanecer praticamente não beligerante. "Suas declarações oficiais criticaram os ataques israelenses e expressaram apoio à soberania do Irã. Mas Islamabad está tentando permanecer praticamente não beligerante. Não quer se tornar parte da guerra", observou ela.

A perspectiva de a Arábia Saudita se juntar diretamente à guerra contra o Irã apresenta um dilema significativo para o Paquistão. Embora Zaidi tenha afirmado que "o Paquistão estará lá sempre que a Arábia Saudita precisar de ajuda", ele também enfatizou que o Primeiro-Ministro Sharif "está em contato constante com a liderança iraniana". Esse duplo compromisso destaca a imensa pressão que o Paquistão enfrenta.

Aman descreve vários cenários que poderiam arrastar o Paquistão mais profundamente para o conflito. "Se o território saudita ou a infraestrutura energética forem sujeitos a ataques sustentados e Riade solicitar formalmente apoio, o Paquistão enfrentará uma pressão significativa para ajudar um parceiro estratégico chave", alertou ela. O tratado de defesa mútua entre o Paquistão e a Arábia Saudita, que estipula que um ataque a um país é um ataque a ambos, complica ainda mais a situação. O principal desafio para Islamabad é tranquilizar Riade sobre seu compromisso, ao mesmo tempo em que evita se envolver em um confronto militar saudita-iraniano mais amplo.

Além das alianças militares diretas, os efeitos de transbordamento do conflito ao longo da fronteira Irã-Paquistão – incluindo atividade militante, fluxos de refugiados, operações de inteligência ou ataques transfronteiriços – representam riscos de segurança significativos. Além disso, as tensões sectárias internas no Paquistão podem se intensificar, refletindo as rivalidades regionais. Maleeha Lodhi, especialista em assuntos internacionais e ex-embaixadora do Paquistão nos EUA e na ONU, sugere que, embora o Paquistão tenha condenado as ações EUA-israelenses contra o Irã e expressado condolências pela morte do Líder Supremo Aiatolá Khamenei, o sentimento público no Paquistão pende fortemente a favor do Irã. No entanto, ela reitera que os laços estreitos com os estados do CCG, especialmente a Arábia Saudita, e o tratado de defesa, obrigam a condenar também os ataques contra eles. A falta de relações diplomáticas do Paquistão com Israel e a opinião pública desfavorável aos EUA também moldam seu complexo cálculo geopolítico.

Em última análise, a manobra estratégica do Paquistão no conflito atual reflete um esforço contínuo para equilibrar interesses e alianças concorrentes. A capacidade do país de manter esse delicado equilíbrio dependerá da desescalada das tensões regionais e de sua capacidade de gerenciar as pressões multifacetadas que emanam de seus principais parceiros internacionais.

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