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Tuesday, 17 February 2026
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Frederiksen Pressiona por Presença Permanente da OTAN no Ártico: 'A Groenlândia Precisa de Proteção Constante'

A Primeira-Ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, discurs

Frederiksen Pressiona por Presença Permanente da OTAN no Ártico: 'A Groenlândia Precisa de Proteção Constante'
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Bruxelas - Agência de Notícias Ekhbary

Frederiksen Pressiona por Presença Permanente da OTAN no Ártico: 'A Groenlândia Precisa de Proteção Constante'

BRUXELAS, 14 de fevereiro de 2026 – A Primeira-Ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, lançou um apelo veemente à OTAN para que estabeleça uma presença militar permanente na região ártica, com particular referência à Groenlândia e às suas águas circundantes. Discursando em Munique, Frederiksen expressou satisfação com o envolvimento atual da Aliança na segurança do Ártico, mas rapidamente sublinhou que as medidas atuais são insuficientes para enfrentar os crescentes desafios geopolíticos e ambientais que caracterizam o Polo Norte.

O pedido da Primeira-Ministra dinamarquesa insere-se num contexto de renovado interesse estratégico pelo Ártico. O degelo, acelerado pelas mudanças climáticas, está a abrir novas rotas marítimas e a tornar acessíveis vastos recursos naturais, desde petróleo e gás a minerais raros. Este cenário desencadeou uma verdadeira corrida por influência na região, com a Rússia a fortalecer a sua presença militar e a China a demonstrar um interesse económico e estratégico crescente, autodefinindo-se como uma "nação quase-ártica". Para a Dinamarca, que administra a Groenlândia, a segurança desta imensa ilha ártica é de vital importância e representa um ponto focal na estratégia de defesa da Aliança.

Frederiksen elogiou iniciativas como a "Sentinela Ártica", reconhecendo o seu valor, mas clarificou que tais operações episódicas não são suficientes para garantir a segurança a longo prazo. "Estamos satisfeitos por a OTAN estar agora envolvida na segurança do Ártico", declarou, acrescentando imediatamente: "Mas pedimos que a OTAN esteja permanentemente presente na e em torno da Groenlândia. A Sentinela Ártica é uma boa iniciativa, mas também precisamos de ter os objetivos de capacidade da OTAN atualizados para incluir o Ártico; atualmente não é assim."

O apelo da Primeira-Ministra dinamarquesa destaca uma lacuna crítica nas capacidades defensivas da OTAN. As atuais planificações e objetivos de capacidade da Aliança, historicamente focados em teatros operacionais mais tradicionais, não estão adequadamente calibrados para as peculiaridades do ambiente ártico. Isso inclui a necessidade de equipamentos especializados para condições extremas, como navios quebra-gelo, aeronaves de longo alcance, sistemas de vigilância avançados capazes de operar em altas latitudes e infraestruturas resilientes ao frio polar. A formação do pessoal e a adaptação das doutrinas operacionais são igualmente cruciais.

Um ponto sensível levantado por Frederiksen diz respeito à lentidão na produção e no desdobramento destas capacidades indispensáveis. "As capacidades necessárias ainda precisam ser produzidas, e algumas das linhas estão nos EUA e ainda não começaram a trabalhar", afirmou, destacando um atraso que poderá comprometer a capacidade da OTAN de projetar e sustentar a sua força numa região estrategicamente cada vez mais quente. Este atraso sugere uma potencial desconexão entre as necessidades percebidas pelos países árticos membros da OTAN e a velocidade com que a Aliança como um todo consegue mobilizar os recursos necessários.

A Groenlândia, com a sua posição geográfica única entre o Atlântico e o Ártico, é um pilar fundamental para a projeção de poder e a vigilância. Uma presença permanente da OTAN não só reforçaria a defesa coletiva numa área vital, mas também enviaria uma mensagem clara aos atores não-OTAN que procuram expandir a sua influência. A Base Aérea de Thule, operada pelos Estados Unidos na Groenlândia, já é um ativo crucial, mas a visão de Frederiksen vai mais além, exigindo um compromisso mais amplo e coordenado de toda a Aliança.

A intervenção de Mette Frederiksen em Munique serve como um alerta para os membros da OTAN. Numa era de competição geopolítica intensificada e de rápidas mudanças climáticas, o Ártico já não pode ser considerado uma frente secundária. Requer uma estratégia de defesa robusta, capacidades dedicadas e uma presença ininterrupta para salvaguardar os interesses dos países membros e manter a estabilidade numa das últimas fronteiras estratégicas do mundo.

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