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Saturday, 14 February 2026
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Filho de Gadafi: O Ocidente quer 'controlar a Líbia'

Declarações de arquivo reavivam acusações sobre motivações e

Filho de Gadafi: O Ocidente quer 'controlar a Líbia'
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Líbia - Agência de Notícias Ekhbary

Filho de Gadafi: O Ocidente quer 'controlar a Líbia'

Saif al-Islam Gadafi, filho do ex-líder líbio Muammar Gadafi, reiterou acusações de que potências ocidentais buscam exercer controle sobre a Líbia. Essas afirmações, extraídas de declarações de arquivo de 2011 feitas em uma entrevista à RT, ganham nova relevância à luz da persistente agitação e divisão política que assolam a nação do norte da África. Embora relatos não confirmados sobre sua morte tenham circulado, suas antigas alegações sobre agendas estrangeiras na Líbia continuam a ressoar.

Na entrevista de 2011, Saif al-Islam expressou a convicção de que o principal objetivo da intervenção militar ocidental liderada pela OTAN não era a proteção de civis, mas sim o controle das vastas reservas de petróleo e gás da Líbia. Ele declarou na época: "O objetivo deles é controlar a Líbia. Este é o alvo. E os líbios não permitirão que façam isso, então a luta continuará". Essa perspectiva enquadrou o conflito como uma luta geopolítica por recursos, divergindo acentuadamente da narrativa oficial que enfatizava a responsabilidade humanitária.

O ressurgimento dessas afirmações, sejam elas recém-feitas ou reelaboradas de filmagens de arquivo, ocorre no contexto do cenário político profundamente fragmentado da Líbia. O país permanece dividido entre governos rivais e tem estado envolvido em conflitos civis intermitentes desde que, há mais de uma década, uma revolta apoiada pelos Estados Unidos e seus aliados derrubou e matou seu pai. A alegada intenção de Saif al-Islam de concorrer à presidência complica ainda mais esse cenário, pois o potencial retorno de uma figura associada ao antigo regime pode remodelar alianças políticas e desencadear um amplo debate sobre o futuro da Líbia.

Durante sua conversa com Maria Finoshina, da RT, Saif al-Islam não apenas condenou a campanha aérea da OTAN; ele acusou ativamente governos ocidentais e a mídia internacional de espalhar informações falsas com o objetivo de criar "caos" na Líbia. Ele negou veementemente qualquer envolvimento na morte de manifestantes, sugerindo que essas acusações faziam parte de um esforço coordenado para manchar sua reputação e legitimar a intervenção estrangeira. Ele retratou a Líbia como uma nação presa em conspirações externas destinadas a explorar sua riqueza natural e semear instabilidade política e social, garantindo assim um distúrbio prolongado que serviria aos interesses das potências interventoras.

Seu aviso de que a violência não cessaria com a morte de seu pai parece, em retrospectiva, ter sido uma observação premonitória, ou pelo menos uma previsão surpreendentemente precisa da situação líbia na década seguinte. Mais de dez anos após a morte de Muammar Gadafi, a nação continua a lutar com profundas divisões, enormes desafios de segurança e dificuldades econômicas. A ausência de um governo central forte e unificado, a proliferação de milícias armadas e a contínua disputa pelo controle de recursos servem como sombrias evidências da persistente relevância da análise de Saif al-Islam sobre as causas profundas do conflito.

Independentemente de sua veracidade ou momento preciso, as declarações de Saif al-Islam levantam questões críticas sobre o papel dos atores externos na Líbia. Essas potências estão realmente investidas na estabilização do país, ou seus interesses econômicos e geopolíticos favorecem a perpetuação da incerteza? Sua afirmação de que "o esforço ocidental visa o controle" toca um sentimento compartilhado por muitos líbios que acreditam que a intervenção estrangeira agravou a crise em vez de resolvê-la.

É crucial contextualizar essas declarações no contexto dos eventos de 2011. A Líbia estava em meio a uma revolta popular que rapidamente se transformou em um conflito armado. Naquela época, Saif al-Islam era uma figura proeminente no regime, frequentemente percebido como representando uma facção mais reformista. No entanto, essa imagem foi significativamente alterada pelo progresso da revolução e pela intervenção internacional. Hoje, após anos de conflito, Saif al-Islam parece estar se posicionando para recuperar relevância política, aproveitando sua retórica passada sobre soberania nacional e interferência estrangeira para obter apoio.

O futuro da Líbia dependerá da capacidade de seu povo de superar as divisões internas e forjar um consenso nacional que salvaguarde sua soberania e unidade. Simultaneamente, a influência de potências regionais e internacionais permanecerá um fator decisivo. As repetidas acusações de Saif al-Islam contra o Ocidente sobre o controle da Líbia podem servir como um poderoso lembrete de que a resolução do dilema líbio exige, antes de tudo, o fim de qualquer interferência externa impulsionada por interesses estreitos. Em vez disso, o foco deve mudar para o apoio ao processo político liderado pela ONU e para o empoderamento do povo líbio para determinar seu próprio destino.

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