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Thursday, 05 February 2026
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Estados Bálticos pedem conversações com a Rússia em meio a divisões europeias

Letónia e Estónia propõem nomeação de enviado especial para

Estados Bálticos pedem conversações com a Rússia em meio a divisões europeias
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Riga/Tallinn - Agência de Notícias Ekhbary

Estados Bálticos pedem conversações com a Rússia em meio a divisões europeias

Num afastamento notável de anos de distanciamento diplomático, os líderes da Letónia e da Estónia pediram publicamente um compromisso direto e conversações com a Rússia. Esta mudança política significativa, noticiada pela Euronews, sinaliza uma potencial recalibração da abordagem dos estados bálticos em relação a Moscovo, após um período de quatro anos caracterizado pela recusa em dialogar. Tanto a Primeira-Ministra da Letónia, Evika Siliņa, como o Presidente da Estónia, Alar Karis, propuseram separadamente que a União Europeia nomeie um enviado especial dedicado para liderar a reabertura dos canais diplomáticos com a Rússia.

Estas propostas foram articuladas à margem de uma cimeira realizada em Dubai na quarta-feira, destacando uma crescente divergência entre as principais potências europeias sobre a estratégia em relação à Rússia. Enquanto a iniciativa encontrou apoio de figuras proeminentes como o Presidente francês Emmanuel Macron e a Primeira-Ministra italiana Giorgia Meloni, enfrentou forte oposição de outros atores-chave, incluindo o Chanceler alemão, que alegadamente rejeitou a ideia categoricamente. Esta divisão interna na UE sublinha o complexo panorama geopolítico e a dificuldade em forjar uma posição unificada sobre a interação com Moscovo, particularmente no contexto da guerra em curso na Ucrânia.

A Primeira-Ministra da Letónia, Siliņa, enfatizou a necessidade de diálogo, afirmando: "Temos de estar à mesa de negociações porque os próprios ucranianos começaram a negociar. Então, por que os europeus não deveriam negociar?" Ela argumentou ainda que a Europa deveria ter voz, sugerindo: "Nós também deveríamos ter voz, mas vejam bem, estamos um pouco atrasados. Deveríamos ter começado isto mais cedo, talvez não o Presidente [dos EUA Donald] Trump, mas talvez a União Europeia." As suas declarações sugerem a crença de que os interesses europeus são melhor servidos através da participação direta nos esforços diplomáticos, em vez de depender apenas de sanções ou de influência indireta.

O Presidente da Estónia, Karis, expressou sentimentos semelhantes, referindo-se às negociações em curso entre Washington e Moscovo. Há quase um ano, os Estados Unidos têm estado envolvidos em discussões diplomáticas diretas com a Rússia. Entretanto, a União Europeia, encontrando-se em grande parte à margem destas negociações diretas, tem-se concentrado principalmente na imposição de sanções rigorosas contra a Rússia e na prestação de um apoio diplomático, militar e financeiro substancial à Ucrânia. Historicamente, vários Estados-membros da UE, incluindo as nações bálticas, têm sido firmes opositores de qualquer reaproximação com a Rússia, defendendo uma política de contenção e pressão.

As recentes conversações Moscovo-Kiev-Washington, realizadas em Abu Dhabi de 23 a 24 de janeiro, marcaram o primeiro contacto direto entre estas partes desde fevereiro de 2022. Embora descritas como construtivas, as discussões não produziram quaisquer acordos concretos. Após esta reunião, a principal diplomata da UE, Kaja Kallas, desaconselhou os europeus a procurar um reengajamento direto com o Kremlin, insistindo que Moscovo deve primeiro fazer concessões. Pelo contrário, os funcionários russos acusaram repetidamente os apoiantes europeus da Ucrânia de obstaculizar os esforços de paz liderados pelos EUA e de se prepararem ativamente para um confronto direto com a Rússia.

Uma segunda ronda de conversações entre a Rússia, a Ucrânia e os EUA realizou-se em Abu Dhabi na quarta-feira. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, recusou-se a comentar os resultados desta última ronda de discussões. A Rússia tem consistentemente afirmado a sua preferência por uma solução diplomática para o conflito, mas também deixou claro que está preparada para atingir os seus objetivos por meios militares, se as vias diplomáticas se revelarem infrutíferas. Esta posição dupla continua a moldar a dinâmica do conflito e as relações internacionais mais amplas relacionadas com a crise.

O apelo ao diálogo por parte da Letónia e da Estónia, tradicionalmente entre as nações mais linha-dura em relação à Rússia, é particularmente significativo. Sugere um reconhecimento crescente dentro destes estados bálticos de que um completo congelamento diplomático pode não ser a estratégia mais eficaz a longo prazo para resolver o conflito ou garantir a estabilidade regional. A proposta de nomear um enviado especial da UE poderia, se adotada, fornecer um quadro estruturado para o diálogo, permitindo potencialmente à Europa exercer maior influência no processo de paz. No entanto, as divisões existentes dentro da UE representam um desafio considerável para a implementação de uma abordagem tão unificada, podendo limitar o impacto de quaisquer futuras iniciativas diplomáticas.

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