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Friday, 10 April 2026
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Trump Busca Reafirmar Influência Americana na América Latina Frente ao Avanço Chinês

Cúpula "Escudo das Américas" visa fortalecer laços com naçõe

Trump Busca Reafirmar Influência Americana na América Latina Frente ao Avanço Chinês
عبد الفتاح يوسف
5 days ago
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América Latina - Agência de Notícias Ekhbary

Trump Busca Reafirmar Influência Americana na América Latina Frente ao Avanço Chinês

O ex-presidente Donald Trump está promovendo a Cúpula "Escudo das Américas" em sua propriedade de golfe, um encontro estratégico com líderes de nações selecionadas da América Latina e do Caribe. O evento, agendado para este sábado, tem como objetivo principal reforçar os laços dos Estados Unidos com aliados regionais em torno de interesses de segurança nacional e, crucialmente, contrabalançar a crescente presença e influência da China no hemisfério ocidental. Esta iniciativa surge em um momento em que os EUA, após um período de foco em outras regiões globais durante a última década, tentam recuperar terreno na América Latina.

Nas últimas décadas, a China emergiu como um player dominante na região, tornando-se o principal credor e parceiro comercial para muitas nações. Financiamentos vultosos em megaprojetos de infraestrutura, como o Porto de Chancay no Peru, avaliado em US$ 3,5 bilhões, e o metrô de Bogotá na Colômbia, exemplificam o alcance econômico chinês. Diante desse cenário, o governo americano sinaliza uma determinação em reverter essa maré, buscando recuperar a relevância estratégica e econômica perdida.

No entanto, especialistas no assunto advertem que a abordagem dos Estados Unidos pode enfrentar desafios significativos. A estratégia de reconstruir relacionamentos e afirmar sua influência na região parece ir além de meras demonstrações de força militar, imposição de tarifas ou táticas de pressão. A construção de parcerias sólidas e sustentáveis exige uma diplomacia mais matizada e um compromisso de longo prazo.

A liderança diplomática deste esforço americano é atribuída a Kristi Noem, governadora do Dakota do Sul, que foi nomeada enviada especial para a cúpula. Sua nomeação ocorre em meio a rumores de sua potencial inclusão na equipe de segurança interna de Trump, embora tenha sido dispensada publicamente por ele nesta semana. "Neste novo cargo, poderei construir sobre as parcerias e a expertise em segurança nacional", declarou Noem em sua plataforma X (anteriormente Twitter), após sua demissão. Ela estará acompanhada por líderes conservadores de oito nações: Argentina, Paraguai, El Salvador, Chile, Panamá, Honduras, Guiana e Equador. Estes países compartilham laços ideológicos com a administração Trump. Notavelmente, Colômbia, México e Brasil não estarão presentes no evento.

Evan Ellis, professor de estudos latino-americanos no Instituto de Estudos Estratégicos do Colégio de Guerra do Exército dos EUA, antecipa que a cúpula abordará temas críticos como o combate ao tráfico de drogas, gestão migratória, contraterrorismo e, fundamentalmente, a contenção da influência de Pequim no hemisfério. Ellis compara o evento a uma versão latino-americana da Conservative Political Action Conference (CPAC), um encontro anual de políticos de direita dos Estados Unidos.

A administração Trump declarou que a cúpula tem como objetivo "recrutar e expandir" o círculo de amigos dos EUA no Hemisfério Ocidental, ao mesmo tempo em que busca limitar o engajamento chinês em toda a América. Isso inclui esforços para impedir que potências rivais estabeleçam bases militares ou estratégicas na região. A reunião segue um padrão recente de atenção de Trump ao Caribe e suas declarações anteriores sobre a necessidade de os EUA "retomarem" o controle do Canal do Panamá da China. A pressão americana já gerou mudanças notáveis, como a deposição do presidente venezuelano Nicolás Maduro e a decisão do Supremo Tribunal do Panamá de cancelar contratos de uma empresa de Hong Kong relacionados ao canal.

Contudo, o governo americano enfrenta obstáculos consideráveis. Enrique Dussel Peters, professor de economia e coordenador do Centro de Estudos Chineses Mexicanos na Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), ressalta os desafios. "Os dias de parcerias de desenvolvimento, livre comércio, multilateralismo e até mesmo reciprocidade básica acabaram", afirmou Dussel. Ele descreveu o crescimento da presença chinesa na América Latina e no Caribe como "drástico", enquanto a resposta dos EUA é "tardia e reativa".

Dussel critica políticas como "America First", cortes na ajuda externa e tarifas, argumentando que elas tiveram o efeito de aproximar governos regionais da China, que, por sua vez, investiu décadas na elaboração de uma visão estratégica de longo prazo para a América Latina. Dados recentes corroboram essa análise: entre 2014 e 2023, a China direcionou aproximadamente US$ 153 bilhões em assistência financeira à região, quase o triplo dos US$ 50,7 bilhões contribuídos pelos EUA no mesmo período, segundo a pesquisa da AidData. Até 2024, Pequim formalizou acordos de livre comércio com várias nações latino-americanas, e o comércio bilateral expandiu-se significativamente. Em 2000, o mercado chinês representava menos de 2% das exportações latino-americanas; em 2021, o comércio já ultrapassava US$ 450 bilhões, com projeções de atingir US$ 700 bilhões até 2035.

A China também investiu pesadamente em infraestrutura, com 20 países aderindo à Iniciativa do Cinturão e Rota (BRI). Desde 2005, bancos estatais chineses emprestaram mais de US$ 120 bilhões para projetos de infraestrutura na região. Estes investimentos visam também o "triângulo do lítio" (Argentina, Bolívia, Chile), essencial para a indústria de baterias, com o presidente Xi Jinping anunciando uma linha de crédito de 9 bilhões de yuans para a região em maio de 2025.

Apesar da percepção de que os empréstimos chineses oferecem menos condicionalidades que os americanos, críticos alertam para o risco de "armadilhas de dívida" para nações vulneráveis, como a Venezuela, que deve US$ 60 bilhões à China. Há também preocupações sobre padrões ambientais e trabalhistas inferiores em projetos chineses e as implicações de segurança nacional do controle chinês sobre infraestruturas críticas. Em resposta a essas críticas e mudanças na dinâmica global, a China tem focado em projetos menores e em tecnologia de ponta, como redes 5G e inteligência artificial, sinalizando uma adaptação em sua estratégia regional.

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